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30 setembro 2011

Grande Lisboa - um só concelho

A Reforma da Administração Pública deveria passar por fundir Concelhos da mesma área geográfica e segundo o interesse inequívoco das populações que nelas residem. A “Grande Lisboa” é um claro exemplo onde se devia começar por reordenar e reagrupar os concelhos que dela fazem parte. Creio que a maioria dos habitantes desta região é favorável a uma “Grande Lisboa” (que não é tão grande assim) administrada como um todo. Criar-se-ia uma comarca com cerca de 3.000.000 de habitantes, com as vantagens daí resultantes: uma rede de transportes integrados, um “plano director” que respondesse aos interesses das populações visadas, uma maior racionalidade dos espaços de proveito público, etc.

Grande Lisboa - um só concelho





Políticos entendam-se, as populações agradecem.

Não imaginamos nenhum poder político dos EUA a defender uma regionalização, ou propor a criação de novos centros de poder governativo para as grandes metrópoles. A população portuguesa é sensivelmente igual à de New York*.


*A pulação de New York, segundo o United States Census de 2010, ronda os 8.175.000 de habitantes.


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29 setembro 2011

28 setembro 2011

Colhi dois dióspiros e outros tantos marmelos...

Olá amigas! é chegado o Outono e com ele sinto um vazio no âmago do meu ser. Devo fazer a apologia de tal estação: a doçura da luz reflectida na paleta policromática das árvores do meu jardim é só comparável, nesta altura, à dança das vestais durante as festividades. Anuam às minhas preces, não deixem apagar o fogo, e dêem início ao festim. Ofereçam-me dois dióspiros (o número não é desapaixonado) e deixem-me sentir como ele é doce e belo, porém, frágil, necessitando de todo o cuidado no seu manuseamento para não se esborrachar. Adoro dióspiros: o alimento de Zeus. O meu palato deseja tanto, tanto, que é superior ao meu controle físico. Colhi dois dióspiros e outros tantos marmelos no meu quintal. Contemplei-os, resisti-lhe nos primeiros tempos, levei-os para…
e comi-os.

Alguém sabe o que fazer aos marmelos?




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26 setembro 2011

...o nosso fatídico destino.

A História não se repete, mas há comportamentos evidenciados, no nosso marcador genético colectivo, que Portugal e a Grécia partilham o mesmo fatídico destino.

 
Já em 1872, Eça de Queirós, in Farpas, dizia que "nós estamos num estado comparável à Grécia. Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão.
Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte".

sem mais comentários...


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25 setembro 2011

Portugal foi sugado por um “Buraco negro”

Há uma excessiva demagogia à volta dos buracos, “gorduras”, dos serviços do Estado encontrados, como os grandes responsáveis pelo descalabro das contas públicas, nomeadamente, quando se referem aos salários dos funcionários públicos, às pensões atribuídas ou às despesas com a saúde. Há buracos e buracos. E há buracos em que o Estado não se deve demitir de os assumir em prol da causa pública. Todos os serviços como a Educação, a Saúde, a Segurança, a Justiça, assim como a Assistência Social, devem permanecer indissociáveis, alheados, à vontade privada. É impensável ter uma justiça privada; entregar a segurança do estado a uma qualquer empresa “securitas”; arremessar a saúde para a frieza dos números; votar a assistência social, de quem a necessita, à caridade protectora e confinar a educação somente aos mais abastados. A equidade destes serviços passa pela sua universalidade, mesmo que o custo do seu redimensionamento haja lugar a uma subida de impostos ajustados à riqueza nacional. É na probidade destes serviços que recaem a nossa maior atenção e exigência para salvaguardarmos o futuro colectivo. Tudo o resto (e é muito) deve ser promovido, e incentivado, pela iniciativa privada. Redefinir a função do estado é urgente, mas não com estes governantes (dos últimos 20 anos, de esquerda e de direita) que durante anos de práticas cooperativas, de denúncias contra um excesso de intervenção do estado, as chamadas “gorduras”, se comportaram indiferentemente, promovendo uma teia de interesses, colocando o estado omnipresente em todas as iniciativas empresariais. O empreendedorismo estatal afundou com a maioria das pequenas e médias empresas, sobrevivendo somente as mais capazes de se associar à política e aos políticos. Os buracos encontrados espelham bem a promiscuidade entre as grandes empresas, a Finança, ávidos de lucros usurários, e a política, sôfrega de obra sumptuária. Confundiu-se gestores com a política e políticos com os gestores: criou-se um enorme “Buraco negro”.




Uma gestão danosa transversal à sociedade empresarial em que o BPN, e o desvario do “jardineiro” (com autonomia) da Madeira são os melhores exemplos para ilustrar a promiscuidade vivida entre a política e as empresas. Falamos de 5.000.000.000€ (cinco mil milhões de euros) que o Estado assumiu no BPN e outro tanto em vias de avocar na Madeira. Perdemos a noção da dimensão dos números, perdemos, sobretudo, o sentido do dever.
Não quero acreditar que as responsabilidades de tais actos encontrem na redução das parcas reformas, dos míseros salários da maioria dos trabalhadores portugueses, a justificação para colmatar os desvios _____ colossais _____ encontrados.
Portugal foi sugado por um “Buraco negro”.


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22 setembro 2011

O fim do TGV... viva o TAP



O Álvaro anda radiante. Vai ter uma nova TAP. No acordo com a Troika foi sugerido, eufemísticamente, que privatizássemos a TAP. Estará para breve. Vamos entregar a transportadora aérea portuguesa, uma empresa de bandeira, motivo de orgulho nacional, por tuta-e-meia. Sabemos que é uma companhia com défices crónicos, ninho para gestores vindos da política e local de trabalhadores mais qualificados reivindicando chorudos salários relativamente à média nacional. A tudo isto, os portugueses estavam e estão dispostos a sustentar o serviço público e estratégico que a transportadora aérea presta. Não podemos entregar a TAP a privados e muito menos se, estes privados, forem estrangeiros. Os fins pelos quais se movem são incompatíveis com o designo nacional. Não quero imaginar o Aeroporto de Lisboa qualificado em regional e ver os portugueses apanhar o TAP para Madrid. Disse bem: o TAP. O ministro da economia decretou o fim do TGV (Train Grande Vitesse) mas, num golpe de rins, encontrou maneira de anunciar um “comboio de alta prestação” próximo do Trem… sim, vamos ter um Trem de Alta Prestação - TAP.

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21 setembro 2011

Júlio Resende (1917-2011)

Júlio Resende morreu esta quarta-feira, em Valbom, Gondomar. Tinha 93 anos. O pintor deixa uma vasta e premiada obra.

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una notte a Napoli


Pink Martini é uma banda de doze membros formada, em 1994, pelo pianista Thomas M. Lauderdale, em Portland, Oregon. Eles misturam diversos géneros musicais como a música latina, lounge, música europeia e jazz.

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20 setembro 2011

Já não há pachorra para tantos “patifes”

O relógio marcava dez horas e doze minutos, do dia vinte, do ano dois mil e onze. Não teria sido tão preciso se não fosse conhecida mais uma “patifaria”: “o Tribunal de Contas está a investigar um novo buraco de 220 milhões de euros nas contas da Madeira”. De patifaria em patifaria o rombo acumulado ascende, até ao momento, a 2 mil milhões de euros. Se esta receita se propaga pelas regiões, autarquias, freguesias, em prol do “bem-estar” das populações, receio que a obesidade do paciente não seja localizada mas, sim, generalizada. Deparamo-nos com um ataque feroz à dimensão da Função Pública, aos parcos ordenados que auferem, e ninguém aponta a danosa gestão política e financeira dos seus caudilhos. Quando os políticos falam de “gorduras”, falam de quê?
Temo que as "patifarias" personificadas em Jardim possam passar sem uma "palmada pedagógica". Se isso não acontecer, democraticamente, sugiro que o “patife” seja "emancipado em pleno".

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19 setembro 2011

A família agradece, o bichano rejubila, o repolho agracia… porque o verme não perdoa.


Não posso precisar a hora em que o bichano reclamou o seu quinhão. Talvez pelas 20 horas, sensivelmente, ou, quiçá, um pouco mais cedo, porque entre o pôr as panelas ao lume e o jantar, sobrou tempo para ligar o computador – conhecido no seio familiar pelo, o repolho – e esperar que ele se decidisse receber as notícias dos familiares e amigos. Bastante tempo. Muito mais do que se possa pensar. Tanto tempo que deu para embalar ao som daquela jovem promissora da música portuguesa: a que canta num timbre infantil histórias para a terceira idade, - a Luísa Sobral. Devo confessar que adoro a Luísa, e quando ouvi pela primeira vez, na Marginal, “o engraxador”, escrevi um “e-mail” para a estação de rádio a manifestar a minha ignorância melómana pedindo informações da surpreendente autora, transcrevendo de memória parte da letra como referência e pista à minha agitação. A resposta foi célere e esclarecedora.  A partir daí, sempre que o meu repolho tarda a arrancar imagino-me num "teatro inglês a recitar Shakespeare em português": ser verme ou não ser, eis a questão…

Caros amigos, não há nada mais desesperante do que uma septicemia informática. Sempre que comprarem repolhos certifiquem-se, na praça, que sejam frescos, viçosos e com certificado de qualidade. A família agradece, o bichano rejubila, o repolho agracia… porque o verme não perdoa.


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P.S. agradeço ao meu amigo Armindo J. a ajuda prestada.

16 setembro 2011

A “ilha desonesta”.

A “ilha desonesta”.

Jardim deveria apresentar-se ao povo de corda ao pescoço e pedir desculpas a Passos Coelho. Sinto-me envergonhado, vilipendiado, por um déspota eleito democraticamente que se eternizou no poder da região autónoma da Madeira à maneira de um qualquer “Bokassa” africano. Um político que reivindicou sempre uma maior autonomia para aumentar o seu poder económico, alimentando um aparelho seguidor das suas acções. Aniquilando o empreendedorismo madeirense (apanágio das ideologias social-democratas, de “direita”) a economia madeirense resume-se às iniciativas do Governo regional ou das empresas dele associado. Um “monstro” amamentado à custa do dinheiro alheio: ameaçando com a independência sempre que os seus propósitos não são correspondidos. Insultou tudo e todos inclusive os companheiros do seu próprio partido. E, eis descoberto mais um buraco nas contas da Madeira por pagar. Um buraco de 1.113 milhões de euros da Madeira foi hoje revelado pelo Banco de Portugal e pelo INE, fazendo eco na imprensa estrangeira, com epítetos nada abonatórios para os políticos madeirenses, colocando mais pressão sobre Portugal no cumprimento das medidas acordadas com a 'troika' no âmbito do resgate internacional. Uma ilha que não se “vê grega”, mas com um comportamento político económico igual ao grego, tão denunciado. Alberto João Jardim é o insulto personificado tão bem retratado no Financial Times (no blogue de um dos seus colaboradores) como a “ilha desonesta”.



A candura de Scarlett Johansson.


Um auto-retrato, nu, de Scarlett Johansson, tirado com o seu telemóvel, é notícia em todo mundo. A candura patente nesta representação levou o advogado Marty Singer a confirmar que as “fotos em questão são altamente pessoais e privadas”. Este “fait divers” passaria desapercebido se não fosse a intimidação, por parte do representante da actriz, a todos aqueles que na posse de tal imagem caíssem na tentação de a divulgar.
Reconhecemos a qualidade da composição, assim como a estruturação do campo visual: um rosto de cabisbaixo em primeiro plano deixa a descoberto um corpo nu de costas reflectido num espelho. Uma mão segura uma toalha junto ao regaço, enquanto a outra mostra o móbil do “crime” – um telemóvel – registando um cândido corpo de costas. Contudo, perguntamos: como foi possível uma foto tirada no seio da sua intimidade, com o seu telemóvel, ser do domínio público?
Esta foto, reconhecida a sua autenticidade e autor, promete ganhar foros de uma publicidade bem urdida*.

* Computadores de todo mundo, uni-vos! Não publicamos a foto.

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15 setembro 2011

Amy Winehouse e Tony Bennett, "Body and Soul".



O dueto entre Amy Winehouse e Tony Bennett, "Body and Soul", foi uma das últimas canções interpretadas em estúdio pela cantora britânica, que morreu a 23 Julho aos 27 anos.


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14 setembro 2011

13 setembro 2011

Parthenon, a ruína europeia…


Preparam-se para deixar cair o berço da democracia – a Grécia. E se isso acontecer será a maior vergonha da União Europeia. Esbulharam-na desde os tempos imemoriais e agora como se fosse algo descartável abandonam-na na ruína. Subam a colina adjacente a Plaka encostem-se a uma Cariátide e sintam-se gregos a crescer interiormente. Recordem, a sala 18 do British Museum em Londres, o Louvre em Paris, o Altes Museum em Berlim, e verificarão a insaciável cobiça europeia. Atente para a “generosidade” europeia e vão ver os submarinos (alemães) fundeados no Pireu; os caças (franceses) numa qualquer base militar grega; as obras olímpicas patrocinadas e promovidas pelos bancos franceses e alemães; o descalabro económico assistido pela impavidez das instâncias sediadas em Bruxelas; o desmantelamento da maioria dos parcos meios de produção; as privatizações caídas em mãos alheias… e comparem com a intoxicação vinculada pelos media dizendo que as cabeleireiras gregas têm reforma aos 50 anos, que um organismo qualquer tem 5 jardineiros para uma árvore… etc., etc., atribuindo o ónus da culpa ao povo grego. Onde param os europeus? Onde pára o espírito de solidariedade?

A Miss Universo é angolana



Leila Lopes é o nome da mais recente Miss Universo 2011.
No acto da coroação Leila Lopes disse que iria ajudar as crianças, os velhos, a luta contra a doença HIV... bla, bla, bla...
É tão bom começar o dia com coisas belas.

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12 setembro 2011

Há dias difíceis.




Há dias difíceis. Abri os jornais desta segunda-feira, 12 de Setembro, e todas as notícias oscilam entre a depressão dos mercados e o suicídio das políticas: “Alemanha prepara-se para possível falência da Grécia “; “a Grécia só tem dinheiro até Outubro”; ”Krugman diz que o euro está sob ameaça”. Para Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008, “a turbulência que tomou de assalto a Europa já não é apenas um problema dos países pequenos e periféricos, como a Grécia” ela passou a estar (ou deveria estar) na agenda política e não nos interesses especulativos financeiros.

10 setembro 2011

A intemperança de Nigella Lawson…

Já é a décima quinta vez que tento abordar alguns ódios de estimação. “Foi uma chamada para o número errado que despoletou tudo”… esta é a primeira frase do livro, A Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster, que me provocou – digo bem, provocou e não despoletou - o abandono da leitura, até este Verão de 2011. Passados doze anos, após a sua publicação, de livro debaixo do braço, preparo-me para fazer as pazes com Paul Auster – digo, com o tradutor Alberto Gomes. Traçado o rumo para um qualquer lugar setentrional, as fascinantes histórias de mistério, tal como as personagens, provocaram-me uma maior curiosidade e preocupação quando, segundo o Publishers Weekly, A Trilogia de Nova Iorque, é um dos livros preferidos dos ladrões de livros nos Estados Unidos. Mas que intrigante e obscuro impulso, que leva alguém a preterir uma “Moleskine”, mais cara, por um romance? É como se convidasse alguém para um jantar desencaminhador e em vez disso oferece-lhe um livro da Nigella Lawson. Na primeira situação, sempre podemos usar a liberdade de desenhar, riscar, fantasiar; na segunda, desconfio da receptividade do gesto e da sua utilidade.
Quem é que não adorava perder-se na intemperança de Nigella Lawson?…




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07 setembro 2011

Kamasutra, Burka e lascívia ocidental...

Segundo o Jornal Público "As concept stores Benetton de Istambul, Milão e Munique recebem a partir de hoje as 15 instalações da autoria do jovem criador cubano e actual director criativo da Fabrica, Erik Ravelo. Esqueça o tricot, aqui a lã é o fio que conduz ao prazer".

Será que a (United Colors) Benetton vai unir as cores dos povos através da Kama (prazer) Sutra (união), a Burka muçulmana e a lascívia ocidental?

A concepção é boa.

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06 setembro 2011

O Vítor gosta de passeios colossais.

Na universidade de verão da JSD, Vítor Gaspar confessou que quando dá aulas costuma ter como referência a “escola peripatética” – os que passeiam. Naquela monótona exposição em voz monocórdica, a profetizar os desvios colossais, fiquei sem saber se a técnica por ele evocada servia para que os alunos prestassem mais atenção ou se era para ele não dormir. O Vítor gosta de passeios colossais .

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Política - Ministro das Finanças não tem "solução milagreira" para superar a crise - RTP Noticias, Vídeo

04 setembro 2011

"geração desenrasca"



Retire este verme do meu prato!

Uma lagarta verde em contracções sumia-se do meu prato num restaurante na Marina de Cascais. Por momentos pensei, quantos vermes terei triturado nesta refeição quase acabada? Alegrava-me a ideia, saber que a negligência culinária não passou de um infortúnio do ajudante de cozinha, mas sim da sua qualidade: sem qualquer pesticida ou químicos nocivos à saúde. Confesso que, não fora os meus movimentos peristálticos terem provocado vários refluxos gástricos e eu não teria pedido o Livro de Reclamações. – Pssst, por favor! ...
Não sou homem de andar por aí a queixar-me de falta de profissionalismo, de exigência, de rigor dos portugueses, aliás, sentimento partilhado pela maioria dos portugueses que incorporou na sua vivência um certo laxismo muito bem aproveitado por outros: os “desenrascas”. Aquele “desenrasca”, pessoa dinâmica, com comportamento convincente e reconhecido por todos aqueles que tem entre mãos uma situação problema. Aquela pessoa que está sempre pronta a realizar um trabalho para o qual não está habilitado. E não estou a falar naqueles trabalhos cuja preparação não exige mais do que um mimetismo aristotélico da imitação das artes. Muito úteis socialmente, sem dúvida. Estou a acusar aqueles que chegaram aos mais altos cargos da nação e se julgam doutos em todas as matérias sem arte nem engenho – os políticos. Verbero todos aqueles que ascenderam à gestão empresarial pública e privada através da parasitagem na vida política. A nobre arte da política exige mais do que a mimeses do artesão, é necessária arte. Em vez disso, assistimos a uma política infestada de uma doença sugadora, própria desta “geração desenrasca”. Proclamamos a falta de estadistas. Todavia, os portugueses gabam-se da “arte do desenrasca” como forma de resolver as dificuldades. Esta qualidade, enaltecida por muitos, transformou-se num ódio de estimação que nutro sempre que vejo “vermes” rastejando, alimentando-se do meu repasto.
- Pssst, por favor! Quando puder, agradecia que retirasse este verme do meu prato.

01 setembro 2011

uma marioneta decadente


01.09.11. Neste dia chuvoso não me ocorre peva. Nem me apraz nada de maldizer o ar cabisbaixo de Passos Coelho ao lado Angela Merkel. Sentimo-nos resignados ao ditado de Angela: os países europeus devem colocar na sua Constituição um limite ao endividamento. E em resposta à questão de um jornalista sobre o que pensava da criação de obrigações de dívida pública europeias, eurobonds, Merkel respondeu que “é a resposta errada”. Ora, Passos Coelho parecia uma marioneta decadente, com uma calvície anunciada, a quem se puxa os cordéis e desata a falar sincronizado com o discurso da alemã: o programa português para atingir o objectivo de equilíbrio orçamental, disse Passos Coelho que "acompanha Merkel em grande parte" da sua declaração. No que diz respeito ao colocar na Constituição limites ao endividamento Passos Coelho manifestou “grande abertura” e disse que apenas aguarda pelo congresso do PS para “abrir esse debate constitucional”. Está tudo dito…




Os princípios directores vertidos na Constituição não podem estar ao sabor de imponderáveis, nem de marionetes que não conhecem o seu papel. A Constituição é o que torna um Estado legítimo, legal e o que nela consta é para ser cumprido. Não pode haver nenhum “mas”, nem nenhum “se”…
O que fazer em tempo de crise com a necessidade de endividamento para ocorrer a imperativos de solidariedade? E se por questões exógenas houver (momentaneamente, com todo o cuidado que esta palavra possa significar) necessidade de pagar muito mais pelas importações efectuadas? Teremos um Estado incumpridor ou inconstitucional?
Se até ao momento os tribunais e em última instância o Tribunal Constitucional estão atolados de recursos como forma de alcançar, quiçá, a sua prescrição, estamos mesmo a ver uma qualquer instituição, empresário ou particular, colocar o Estado no banco dosréus dizendo que não paga os impostos porque o estado português entrou em incumprimento constitucional – um Estado ilegítimo.

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