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16 janeiro 2012

Vidago, Palace Hotel Golf Course



PALACE HOTEL, VIDAGO. Foto © Luís Barreira

Um campo com história
Hotel Palace Golf Course, de Vidago, buraco 18, PAR 3, duzentos e quinze metros nos separam entre o “tee” de saída e o centro do “green” de um buraco que é seguramente o “signature hole” deste inigualável lugar.
Vidago Hotel Palace Golf Course, Buraco 18.

O nostálgico Campo de Golfe de Vidago, de nove buracos, construído em 1936 por Mackenzie Ross, deu lugar ao excelente campo - Palace Hotel Golf Course - redesenhado pela firma Cameron & Powell que acrescentou mais nove buracos transformando-o num Par 72. Um percurso totalmente reconstruído e renovado respondendo assim às exigências da USGA, tornando-o num sério candidato a realizar provas internacionais.

Numa altura em que os campos de golfe são desenhados segundo imagens estereotipadas, moldados artificialmente às características do ambiente onde estão inseridos, dando-lhes um ar artificial facilmente identificáveis, verificamos que os campos com identidade orográfica respeitando o legado arbóreo (centenário) único e inimitável faz com que as características dos actuais atletas e o desenvolvimento tecnológico não se sobreponham aos desafios encontrados. Um campo onde a destreza e a habilidade coloca à prova os exímios golfistas.
O golfe em Vidago ocupou sempre um lugar de destaque na vida dos autóctones mesmo que, de certo modo, parecessem distantes desta modalidade elitista. Porém, comungando das mesmas raízes que abraçam as inúmeras árvores, plátanos, cedros, tílias, nogueiras da índia, sequóias, carvalhas, etc., que o campo aloja, atingindo o seu clímax na época de outono, a maioria dos vidaguenses reconhecem-se também nesta única modalidade com propriedade. Os inúmeros praticantes golfistas oriundos dos mais diversos estratos sociais desta pequena vila são testemunhas da importância do golfe na vida desta comunidade.


Em 2011, comemorou-se os 75 anos da sua existência, festejou-se a sua renovação e ampliação, relembrou-se, sobretudo, os marcos emblemáticos de memórias idas. Se ao incauto visitante a identidade do espaço mantém-se fielmente à beleza e ao desenho original, ao atento jogador o espírito do lugar perdeu-se, apesar de encontrar neste campo, totalmente novo, as qualidades únicas para a prática deste desporto. A perda de certos ícones emblemáticos do antigo Campo de Golf de Vidago, pelo menos para aqueles que se habituaram a olhá-lo em todos os ângulos e que encontravam em cada obstáculo, desnível, árvore, uma referência com história faz com que olhemos para este campo numa perspectiva futura. Será difícil, para não dizer irrecuperável, do ponto de vista da tradição, a vertigem experimentada na saída do tee do buraco 1 que balançava entre a angústia por colocar a bola nos plátanos à direita e a arritmia provocada por ter conseguido passar a “lomba”; e quem não se recorda do buraco 3, Par 3, 90 metros, cujo “green” se tornou louvado ou censurado consoante a proeza ou desespero alcançado; e o cortar da respiração do buraco 5, Par 3, 210 metros, com um enganador desnível entre o “tee” de saída e o “green” transformando-o num “sweet spot” da paisagem transmontana; e o vexame sentido, perante os transeuntes – com os comentários inapropriados ao momento -, no buraco 6, Par 3, 145 metros, com uma ribeira a cortar o “fairway” atravessada por uma ponte amiga, auxiliar de pancadas menos conseguidas.
Tudo isto pertence à história e os nostálgicos jogadores encontram hoje no “Palace Hotel Golf Course” de Vidago um campo totalmente novo que irá, seguramente, encantar e desafiar o mais experiente golfista...


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Publicado, Golfe Magazine, 19, pag.24