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30 novembro 2012

um roubo bem acompanhado

«O homem conhecido como "solitário", acusado de roubar 20 instituições bancárias (incluindo o BPN) com uma réplica de arma e de se ter apropriado de 152 mil euros, foi condenado esta sexta-feira a uma pena de 11 anos de prisão efectiva pelo colectivo de juízes que o julgou nas Varas Criminais de Lisboa» – noticia hoje o jornal o Público.


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Por um breve momento lembrei-me de um desvio de vários mil milhões de euros no BPN, de um roubo supostamente bem acompanhado.

Moral da história: mais vale acompanhado do que solitário.

20 novembro 2012

"Mobilidade especial"

Foto: www.dinheirovivo.pt

Vítor Gaspar quer acabar com 1 em cada 7 funcionários do estado em 2013 ao propor 40 horas ao invés das 35 horas semanais actuais «como estímulo à produtividade. E para promover a adopção de comportamentos activos que fomentem o reinício de funções irá proceder à redução dos valores de remuneração auferidos pelos trabalhadores que se encontram em situação de mobilidade especial, de 5/6 para 2/3 na fase de qualificação, e de 2/3 para metade na fase de compensação.» Finda a fase de compensação dará lugar ao despedimento?
Está em cima da mesa (em discussão) a célebre máxima liberal de que é preciso menos estado para termos mais estado: sendo necessário redefinir as funções do estado e dos serviços que o estado deve (obrigado) manter. Em última análise, segundo a cartilha liberal, o estado deveria manter somente as funções de segurança, justiça e sustentar a classe política, tudo o resto os privados fariam melhor (poderei concordar com tal princípio). Passos Coelho e Vítor Gaspar assentam as suas políticas nestas premissas esquecendo-se que ao empobrecer o país, sobretudo a classe média, retira qualquer veleidade à iniciativa privada, aos empresários, ao capital, investir nos sectores onde o estado assegura os mais diversos serviços sociais: ninguém investe onde não há mercado e se, por absurdo, o estado sair das empresas públicas de transporte (Carris, Metro, CP…), do serviço nacional de saúde, da escola pública e entregá-las aos privados, estes ajustarão os custos ao justo valor. Assim, só com uma sociedade próspera a ideologia de Passos Coelho e Vítor Gaspar poderia ter acolhimento. O caminho defendido pelo Governo vai em sentido contrário, levando ao empobrecimento dos portugueses não dando lugar, seguramente, à iniciativa privada. Neste sentido, numa economia pobre a proposta de Vítor Gaspar promoverá certamente um tecido social ainda mais pobre, inicialmente na função pública e por contágio nos trabalhadores em geral, e muito parco em iniciativa privada, em empreendedorismo. O ciclo recessivo parece interminável. O liberalismo de Passos propõe-se “refundar” o estado mas quando batermos no fundo não teremos “mobilidade especial” para sair dele. Senhor primeiro-ministro um país próspero não necessita de tanto estado; um país pobre necessita de mais estado.
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13 novembro 2012

Passos Coelho é um mitómano.


Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania. Passos Coelho é um mitómano. Ele esconde-se atrás da capa da verdade mas não oculta o seu sofrimento. Na última conferência de imprensa, no forte de S. Julião da Barra, o “bom aluno” padece em frente à pendida professora, afirmando: “o deficit deste ano vai ser de 5%” – desviando-nos 0,5% dos objectivos traçados inicialmente pela troika.
As contas voltam a não dar certo e Passos Coelho sabe-o. O Banco de Portugal prevê que este ano o deficit orçamental real, sem medidas temporárias, fique nos 6,2% do PIB, acima do previsto pelo Governo. Passos Coelho sabe-o, mas mente. Passos Coelho sabe-o desde que apresentou o OE para 2012 e que a austeridade proposta, novamente, no OE de 2013 levará inevitavelmente a mais penúria, mais deficit, mais dívida pública. Foi avisado pelas mais distintas e insuspeitas pessoas. Passos Coelho conta histórias ao mesmo tempo que acredita nelas. Este distúrbio tem origem na supervalorização das suas crenças em função da angústia subjacente que é, também, uma forma de consolo. Passos Coelho é um mitómano.
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Steve Reich

Clapping Music

10 novembro 2012

Alexandre O'Neill, Abandono Vigiado


...
Em aberto, em suspenso
Fica tudo o que digo.

E também o que faço é reticente...

:
Introduzimos, por vezes,
Frases nada agradáveis...

.
Depois de mim maiúscula
Ou espaço em branco
Contra o qual defendo os textos

,
Quando estou mal disposta
(E estou-o muitas vezes...)
Mudo o sentido às frases,
Complico tudo...

!
Não abuses de mim!

?
Serás capaz de responder a tudo o que pergunto?

( )
Quem nos dera bem juntos
Sem grandes apartes metidos entre nós!

^
Dou guarida e afecto
A vogal que procure um tecto.


Alexandre O'Neill, Abandono Vigiado, 1960

07 novembro 2012

06 novembro 2012