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28 maio 2013

Mia Couto - Prémio Camões, 2013

Mia Couto, prémio Camões, 2013.

Mia Couto, um homem "abensonhado".


"A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos."
Mia Couto

24 maio 2013

"Palhaços"


Uma capa que fará história. Não pelas razões mais dignificantes, mas pela interpretação insultuosa que uma frase descontextualizada pode ser entendida.
MST no calor da sua argumentação compara Beppe Grilo, um comediante, político italiano e fundador do movimento “cinco estrelas”, a Cavaco Silva. Ora, se MST dissesse: “nós já temos vários políticos “5 estrelas”, e um deles chama-se Cavaco Silva”, não seria manchete de jornal nenhum nem a Presidência da República se melindrava (julgo). Estava a desvalorizar a acção política. O que MST disse foi: “Beppe Grilo? Nós já temos um palhaço, chama-se Cavaco Silva” numa discordância política, manifesta.

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relembrando...

21 maio 2013

Conselho de Estado


«Depois de quase 7 horas de reunião, ontem à noite, do Conselho de Estado saíram cinco pontos. Os conselheiros assumiram o combate ao desemprego e o estímulo à economia como o caminho para Portugal depois da troika. No final do encontro foi lido um comunicado pelo secretário do Conselho de Estado, Abílio Morgado.» sic
Terá sido mesmo o Conselho de Estado a reunir?
Depois deste comunicado julguei estar a ouvir o porta-voz do Conselho de Ministros do Governo.
O que o Cavaco gosta é de governar…

15 maio 2013

Pantomina



Pantomina

Por uma questão de saúde mental deixei de assistir a esta pantomina que a política nacional nos tem brindado diariamente. Estou farto de pantomineiros! Não há uma ideia, um objectivo, um rumo, um ideal… assistimos a uma coreografia corporal de estados de espirito e a uma mímica pouco esclarecedora. Dirimem-se medidas baseadas em frias folhas de “excel” onde, entre as colunas do “Deve” e do “Haver”, se ocultam as fórmulas do interesse público. Aniquilaram-se todas as receitas provenientes de empresas (lucrativas) pertencentes ao estado, destruíram-se uma boa parte do tecido produtivo. Agora, fomenta-se o egoísmo entre os portugueses ameaçando-os com mais impostos se não se reduzir a despesa: o estado social.
Na calha estão mais 30 ou 40 mil funcionários públicos para a “mobilidade especial”; a recessão agravou-se; o investimento está em queda; «a economia portuguesa acelerou o ritmo de queda no primeiro trimestre do ano, com o PIB a recuar 3,9% em termos homólogos, o que representa a contracção mais acentuada dos nove trimestres de recessão que se registam desde o início de 2011»(*). Há “limites da dignidade que não podem ser ultrapassados” dizia o Presidente da República pensando na sua reforma e na da sua mulher (professora reformada). Mobilizando a sua “esfera de influência” numa tentativa de demover os políticos, evoca Nossa Senhora de Fátima no desfecho bem-sucedido da sétima avaliação da troika, e obtém a promessa que os cortes nos reformados e pensionistas não ocorrerá (só em último recurso): prometido. O prometido é devido… Convoquemos, então, o Conselho de Estado para debater Portugal pós-troika!
Há limites! O exercício da política só faz sentido quando é em função dos cidadãos. Há muito que o decoro exigia sentido de estado: em vez disso, esgrimem-se interesses particulares baseados em falsas tautologias. 


(*) in Jornal de Negócios

13 maio 2013

"um comportamento social obsceno”



O Governo tem uma “enorme falta de sensibilidade social e humana” e um comportamento “social obsceno”. Foram estas as palavras utilizadas por Bagão Félix para caracterizar o actual Executivo que, refere, tem transparecido a ideia de que “toda a consolidação orçamental assenta sobre os reformados e pensionistas”.
“Isto é tudo muito estranho. Ou o Governo não tem confiança nas suas previsões orçamentais – e se calhar não tem. Ou, se tem, esta é uma dramatização completamente estéril, para não dizer estúpida”, disse Bagão Félix ao jornal i.

07 maio 2013

Alexandre O'Neill - Cão





Ana Brandão & João Paulo





CÃO
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.
Cão marrado, preso por um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia-a-dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão prefabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!

Alexandre O'Neill

05 maio 2013

"O MATERIAL TEM SEMPRE RAZÃO"


Não são minhas as palavras...

«Hoje é um dia em que a politiquice, a pura coreografia política, a ilusão, o dolo, vão atingir limites de insulto a todos os portugueses que estão a empobrecer. Esta dança entre Passos Coelho e Portas (e deliberadamente escrevo antes de Portas falar) é a utilização da comunicação social e de alguns truques demasiado conhecidos para "todos se sairem bem", com o objectivo de nos distrair e enganar. É corrrupção das mentes, tão grave quanto a dos bolsos, é exactamente tudo aquilo que desagrega velozmente uma democracia. Metáforas habilidosas, recursos semânticos de um autor de títulos de soundbyte, frases que pretendem ser virais, desculpas apresentadas como vitórias, imagem, imagem, imagem, vaidade, vaidade, vaidade. E pequenez disfarçada de esperteza.

O combate contra o governo incompetente, arrogante e destruidor que temos, que vive do medo das pessoas de perderem o mais básico da sua vida, vai acabar por ter mais do que uma dimensão política, vai ter uma dimensão de dever, de obrigação, uma dimensão ética. Com este tipo de coerografias dolosas, sem respeito por ninguém, sem sentido de responsabilidade, e muito menos de estado, está-se a abrir o caminho para a desobediência civil. E estou a dizer exactamente o que quero dizer.»




... José Pacheco Pereira




ver aqui

03 maio 2013

Dream Within a Dream

Dream Within a Dream

Take this kiss upon the brow
And in parting from you now
Thus much let me avow
You are not wrong
My days have been a dream
Yet if hope has flown away
In a night or in a day
In a vision or in none
Is it therefore the less gone?
All that we see
All that we seem
Is but a dream within a dream,
Dream...

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore
And I hold within my hands
Grains of the golden sand
Oh how they creep
From my fingers to the deep
While I weep while I weep
Oh God can I not grasp
With a tighter clasp?
Oh God can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see
All that we seem
But a dream within a dream?
Dream, dream, dream, dream, dream...


Edgar Allan Poe