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30 setembro 2013

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia"





O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.


O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Alberto Caeiro

23 setembro 2013

"A Festa do Silêncio"


"Escuto na palavra a festa do silêncio. 
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se. 
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas. 
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas. 
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma."

António Ramos Rosa (1924-2013)


23 de Setembro, regresso aos mercados

21 setembro 2013

"A Locked House"



...
Maybe I should have thought: all
Such things rot, fall—
Barns, houses, furniture.
...

W.D. Snodgrass, “A Locked House” from Selected Poems, 1957-1987

20 setembro 2013

"The secret of the sea"


Ah! what pleasant visions haunt me
As I gaze upon the sea!
All the old romantic legends,
All my dreams, come back to me. 



Sails of silk and ropes of sandal,
Such as gleam in ancient lore;
And the singing of the sailors,
And the answer from the shore! 



Most of all, the Spanish ballad
Haunts me oft, and tarries long,
Of the noble Count Arnaldos
And the sailor's mystic song. 



Like the long waves on a sea-beach,
Where the sand as silver shines,
With a soft, monotonous cadence,
Flow its unrhymed lyric lines;-- 



Telling how the Count Arnaldos,
With his hawk upon his hand,
Saw a fair and stately galley,
Steering onward to the land;-- 



How he heard the ancient helmsman
Chant a song so wild and clear,
That the sailing sea-bird slowly
Poised upon the mast to hear, 



Till his soul was full of longing,
And he cried, with impulse strong,--
"Helmsman! for the love of heaven,
Teach me, too, that wondrous song!" 



"Wouldst thou,"--so the helmsman answered,
"Learn the secret of the sea?
Only those who brave its dangers
Comprehend its mystery!" 



In each sail that skims the horizon,
In each landward-blowing breeze,
I behold that stately galley,
Hear those mournful melodies; 



Till my soul is full of longing
For the secret of the sea,
And the heart of the great ocean
Sends a thrilling pulse through me.

Longfellow

03 setembro 2013

Cesário Verde

E tu que não serás somente minha, 
Às carícias leitosas do luar, 
Recolheste-te, pálida e sozinha, 
À gaiola do teu terceiro andar! 

Cesário Verde


Enviado do meu iPhone