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09 dezembro 2014

Ponte Vasco da Gama #1641

LCB
rio tejo, 2014

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, 
Febo ordeneQue não tenham inveja às de Hipocrene.



Dai-me uma fúria grande e sonorosa,

E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.



Invocação às TágidesCanto I, estrofes 4 e 5

13 outubro 2014

Fog / Nevoeiro

LCB
Lagoa de Albufeira, 2014



...
FOG


The fog comes
on little cat feet.

It sits looking
over harbor and city
on silent haunches
and then moves on
.


 Carl Sandburg

19 setembro 2014

Inês de Castro

LCB
Inês de Castro, Alcobaça, 2014


Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito (...)

23 julho 2014

Verde que te quiero verde

LCB
#1391, 2014



Verde que te quiero verde
verde viento verdes ramas
el barco sobre la mar
el caballo en la montaña.

Verde, que yo te quiero verde.

Con la sombra en la cintura
ella sueña en la baranda
verdes carne, pelo verde
su cuerpo de fría plata.

Compadre quiero cambiar
mi caballo por tu casa
mi montura por tu espejo
mi cuchillo por tu manta.

Compadre vengo sangrando
desde los Puerta de Cabra
y si yo fuera mocito
este trato lo cerraba.

Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa
dejadme subir al menos
hasta las altas barandas.

Compadre, quiero morir,
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.

Compadre donde está dime,
donde está esa niña amarga
cuantas veces la esperé
cuantas veces la esperaba.


(Federico García Lorca, 1928)